Recursos Humanos em Atenção Básica à Saúde e o Programa de Saúde da Família

Cidade de São Paulo: 10 anos de Saúde da Família.

No Município de São Paulo, o Programa Saúde da Família começou a ser implantado em 1996, através de uma ação conjunta entre o Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado da Saúde e duas organizações sociais sem fins lucrativos: a Casa de Saúde Santa Marcelina e a Fundação Zerbini, com a denominação de Qualidade Integral em Saúde (Projeto QUALIS), em virtude dos serviços de saúde do Município de São Paulo terem sido transformados em cooperativas de saúde, operados pelo setor privado, através do Plano de Assistência à Saúde (PAS-1993/2000), chegando a 226 equipes nas Zonas Leste, Norte, Sudeste e Sul do Município. Em 2001 com a municipalização de saúde, a SMS/SP passou a implantar o PSF em suas UBS, encampou as equipes do QUALIS e chegou a 670 equipes em 2004.
Ambas as experiências foram objeto de pesquisa: no QUALIS, através de metodologias qualitativas estudou-se 10 USF, realizou-se 174 entrevistas semiestruturada (com formuladores, gestores, gerentes e profissionais das equipes, lideres comunitários), observação do trabalho dos ACS nos domicílios e nas unidades de saúde, FAPESP, 1999. O PSF, através de uma iniciativa da própria gestão municipal ao final de 2004 estudou-se as equipes através de um questionário com questões fechadas sobre o perfil/ formação dos profissionais, escala de opinião de Likert e perguntas abertas sobre expectativas profissionais, dos médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Os dados coletados em 4.752 questionários foram analisados através de uma consultoria para a UNESCO.
Essas pesquisas com metodologias diferentes registraram a experiência do PSF no município de São Paulo em dois momentos e em duas situações diferentes: no momento de sua implantação em 1996, como um Projeto, e, na sua expansão, cinco anos depois como Política Pública. Interessa-nos compreender as características das equipes, dos profissionais e suas expectativas nas duas situações apontadas. E, especialmente, captar as mudanças que ocorreram em 10 anos quando o Projeto transformou-se em Política Pública, particularmente as repercussões desse processo sobre o perfil, formação, expectativas dos membros das equipes de Saúde da Família.

 

 

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